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Agindo na esfera
dos instintos que o restringe a condição de pai-biológico, o
indivíduo vive no deserto de suas realizações e segue errante pela
vida. Do ócio pernicioso às disputas ferrenhas que lhe petrificam o
coração, este ser vai desperdiçando seu potencial na trilha das
ilusões projetadas pelos vícios de todas as espécies. E nessa rota,
os ideais do amanhecer da juventude se declinam junto ao sol do
final do dia... Os que têm a coragem de olhar para dentro de si e
conjeturar sobre o sentido de viver, descobrem uma imagem que
reflete duas criaturas numa só: o gigante e o anão. E, entre esses
hemisférios, uma longa jornada se delineia.
Na figura do pai-de-família Jesus encontra o melhor modelo para
falar de bondade e perdão. Quando o homem assume essa função, sua
vida se transforma. Apesar de todas as fraquezas, seu espírito ganha
força e poder. Seus hábitos e ensinamentos se cravarão nos filhos, e
a imagem de sua personalidade, projetada em suas mentes, se
refletirá em cenas alegres e tristes, de um filme que do mesmo modo,
protagonizarão. A grandeza de suas ações e a pequenez de seus
defeitos será lida com o passar dos anos, que se encarregará de
depurar as fraquezas do homem-nanico a caminho do homem-pleno. No
exemplo do filho pródigo que, arrependido retorna ao lar, sendo
acolhido sem ressentimentos, a paternidade transcende os vínculos
sanguíneos e abraça todas as criaturas num ato de amor
desinteressado, gratuito. E, desafiando o egoísmo se lança acima do
bem e do mal, enxergando o homem como um pássaro que desconhece suas
próprias asas...
Nesse estado de alma o pai se torna um mestre, um santo, enfim, um
semideus...
J.Antonio Sespedes
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