|
Trata-se de título
de editorial da Folha de São Paulo de 30 de julho de 2008, que
atribui esta frase ao presidente Lula e que só ocorrera em função
das escutas telefônicas terem chegado ao chefe-de-gabinete da
Presidência da República num diálogo comprometedor com um advogado
do banqueiro Daniel Dantas.
Esse tipo de editorial reforça a posição tendenciosa de grande parte
da imprensa nacional de proteger a classe bandida de cima. Essa
crítica às escutas da Polícia Federal vem de toda parte. Só que essa
Instituição cada vez mais se firma na sociedade como uma das mais
confiáveis e atuantes.
Por que por outros meios de prova a Polícia Federal nem quaisquer
instituições jamais conseguiram provas contundentes contra a classe
bandida endinheirada, as interceptações telefônicas autorizadas
judicialmente tornaram-se o único meio eficaz. E demorou pouco, pois
os mocinhos nunca reconhecem a própria voz, porque estavam meios
sonolentos, gripados, com rouquidão, remédios e outras sandices que,
ao invés de amenizar, deveriam agravar a pena pela desfaçatez e
cinismo com que são empregadas.
Como se tornaram frágeis pela facilidade com que a Justiça
brasileira aceita argumentos dessa natureza, a Polícia Federal
passou a gravar. Mesmo assim, alguns negam as imagens. Dizem que
quem entrou era baixinho, que a imagem está distorcida, quem entrou
estava com roupa azul. E esquecem que até cor hoje se coloca a gosto
do freguês.
Resta à sociedade demonstrar apoio às operações da Polícia Federal.
Essa leva de critica visa enfraquecê-la com vistas a deixar a classe
bandida de cima intocável, já que escuta telefônica não se aplica à
gente do morro. Pior do que as escutas e gravações são as levantadas
de rosto de pobres da periferia para as câmeras de televisão,
forçadas pelas polícias militares, e nunca mereceram editorial de
repúdio de nenhum jornal de destaque.
Atribuir o título como frase de Lula não surpreende. O presidente
sempre demonstrou pouco apreço por apurações de verdade. Até que
parou um pouco de defendê-las publicamente, mas sempre que surge
algum desvio dos seus subalternos, todo mundo sabe que ele não vê,
não sabe, não ouve, não enxerga e não sente. Perde todos os
sentidos. Lula detesta apuração de algo errado e sempre se enviesa
para críticas às suas próprias instituições. Foi assim com seus
quarenta quadrilheiros, segundo o procurador-geral da República, com
os sanguessugas, com os cuecas de dólares, com os compradores e
fabricadores de dossiês e tantos mais.
Daniel Dantas e toda sua classe não precisariam de defesa da Folha
nem de nenhum jornal. Eles já a têm dos presidentes dos poderes
constituídos. A classe inimputável já tem seus poderosos protetores
oficiais. Editoriais como este prejudicam mais pelo caráter
pedagógico nocivo à sociedade do que pela proteção em si à classe
bandida de cima, por ser absolutamente desnecessária. Polícia
Federal, grampo e algemas neles!
Pedro Cardoso da Costa – Interlagos/SP
Bel. Direito |